
Era um dia de estágio como outro qualquer. Às 18h, pontualmente, eu encerrei o expediente e, ao sair de lá, me dirigi à parada de ônibus. Só que, desta vez, resolvi pegar um outro ônibus, cuja rota, haviam me dito, incluía o Centro Administrativo, que é muito mais próximo da minha casa do que a Primeira Igreja Batista (além de infinitamente menos perigoso).
Certa de que, muito antes das 19h eu já estaria em casa, assim que o ônibus parou, subi. Triunfante, fiquei logo ali na frente, pra logo pedir parada e descer. Só que o ônibus não chegava no CM e, a cada passada de marcha, meu coração acelerava mais ainda.
“Tudo bem, já já chego lá”, pensei eu, iludida. Só que, ao invés de ir para Jaguaribe, o ônibus pegou a avenida principal de Cruz das Armas. “Certo, ele vai dar a volta daqui a pouco”, tentei me acalmar novamente. Quando vi que o ônibus não foi em direção às três lagoas (parte da cidade que me dá nos nervos), tranqüilizei.
Porém, o ônibus não voltava! E eu fui ficando a cada parada mais nervosa. E os bairros? Bem, basta dizer que eu não conseguia identificá-los de primeira. Foi preciso olhar atentamente as ruas em busca de algo que me informasse de onde se tratava. Assim, graças a Lan houses, lanchonetes, mercadinhos e oficinas, descobri que conheci os bairros antes visto apenas em programas policiais, como Jardim Veneza, Bairro das Indústrias e o Loteamento Cidade Verde (Sim, loteamento!).
Agora, dá pra imaginar a minha angústia? Num momento, eu estava super feliz ao pensar que logo estaria no aconchego da minha humilde residência, comendo a comida gostosa e quentinha da minha mamãe e brigando com a minha irmã, mas o destino (ok, minha falta de atenção) me disseram “not today, honey”. Nunca imaginei que iria sentir tanta falta das brigas com a minha irmã!
Depois de intermináveis 45 minutos no ônibus (aproximadamente), chegamos à parada final. Lá, criei coragem e perguntei ao cobrador se o ônibus ainda iria ao Centro da cidade. Segue o breve diálogo:
- Qual lugar do centro a senhora quer ir?
- Ah, moço, eu queria ir pro Centro Administrativo, mas a gente não passou lá – disse eu, com a maior cara de entendida das paradas de ônibus da cidade.
- Passamos sim, senhora! (acho que nessa hora ele quis rir da minha cara, mas se conteve)
- Mas, como, se eu não vi? (aqui eu vi, definitivamente, um risinho)
- É que passamos na rua de trás, nas trincheiras. (Tive vontade de morrer quando ele disse isso, mas superei e soltei um...)
– Ah, por isso não reconheci!
Sim, senhoras e senhores. Isso foi tudo o que consegui dizer. Matem-me, pois mereço a morte depois disso. E tem mais:
- Olha, mas a gente passa na Vasco da Gama – ele ainda disse. Eu, com as esperanças renovadas, já que moro muito mais próximo ainda à Vaso da Gama, quase sorri.
- Ah, então ta certo, moço, obrigada – ainda fui educada – Mas, o senhor sabe me dizer se vai demorar muito ainda? - Não, vai não, senhora.
“Ufa!”, eu pensei. “Daqui a meia hora, se Deus quiser, estarei em casa!”. E, assim foi. Acredito que em menos de meia hora, na verdade, eu já estava em casa contando essa mesma história à minha mamãe e minha irmã, que, obviamente, ficaram num misto de alívio (por nada de mais ter me acontecido), raiva (pela minha burrice) e riso (porque é melhor do que chorar, eles dizem).
Nessa minha aventura rumo ao gueto de João Pessoa, acabei descobrindo muitas coisas interessantes. Aqui listarei algumas:
1. Quanto mais pobreza num lugar, mais igrejas se instalam ali e prometem mundos e fundos;
2. Jaguaribe não é gueto nem aqui e nem na China;
3. Não importa qual bairro seja, mas ele tem mais ônibus do que Jaguaribe. Fato!;
4. Sabe aqueles indivíduos que, quando passam ao seu lado na rua, você tem vontade de mudar de calçada pra não ser assaltada? É só o que você encontra nesses lugares;
5. Deus existe;
6. Eu prefiro minha mãe reclamando da mesma coisa mil vezes a voltar pra qualquer um desses bairros novamente;
7. Quem quer ser esperto, acaba se lascando (acho que tem um ditado pra isso, mas não sei qual é);
8. Só acontecendo uma dessas pra eu escrever no meu blog amado (e levemente esquecido hehe).
kkk"
ResponderExcluir"5. Deus existe"
auhuashuhauhsuhsuhsu
essa eu ri.
lembro que eu já passei por uma dessa, quando fui para no valentina de madrugada. e fiquei esperando por 20 minutos o proximo ônibus.
kkk
eu quase cheguei a essa mesma conclusão.
asuhus